Nossa históriaVoltando para frente

A cana cresce e não espera. A nova e reluzente usina tinha que ficar pronta até maio de 78, início da primeira safra a ser devorada pelo engenho novo. Enquanto a usina tomava a forma, cem hectares de terra ganhavam mudas de canas escolhidas a dedo. Final de abril. Tudo pronto. No dia 23 de maio a destilaria funciona como um relógio suíço. Era só experiência, mas de suas entranhas já saíram 2 mil litros da mais pura aguardente. Quatro anos depois, aos 66 anos, José Amélia entrega o engenho nas mãos dos filhos. Agora já eram três, o caçula João Vianney larga os frios laboratórios de Química Industrial para se juntar à sociedade.

Juntos compram 60% das ações da Pinga Amélia e arrendam as terras abarrotadas de cana da Santa Luzia. Os Três Jotas sabiam o que queriam. Queriam crescer e para isso precisavam mudar. Como antes - E de novo lá vem máquinas: nova lavadora, caldeira, enchedora a vácuo, tampadora, rotuladora, filtros e esteiras. A cada hora aquela organizadíssima bagunça despejava 6 mil litros de aguardente. Tanques com capacidade para armazenar mais de um milhão de litros refletem a luz do sol entre o engenho e a seção de engarrafamento. E haja energia. A eletricidade chega trazida por 5 quilômetros de rede trifásica. É assim desde 1992.

E para que tudo isso? Para que tanto vapor, tanta máquina, tanta força? Simples. Para que a "Amélia" saia da Santa Luzia pura como sempre e com o mesmo aroma daquela que o velho João tirava do tonelzinho para servir aos amigos, no final do dia, antes do jantar. Mas não é só o cheiro bom da velha "Amélia" que permanece igual na fazenda. Lá está a roda d'água, o monjolo, a casa de farinha, horta, galinheiro, chiqueiro, bois no pasto, cafezais e milharais que bem podia surtir a despensa como nos velhos tempos, além de um inovador criatório de peixes. Lá estão também as casas da colonada, umas vinte e sete, agora com água, luz, banheiro.

De luxo há telefone, fax, computador. Nada que interesse muito à maioria dos fiéis empregados nascidos e criados na fazenda.

O bom mesmo é a prosa mole no final da tarde, quando a grande caldeira cospe e o sol se parte em sete cores dentro do jato de vapor branco. Gente, e não é que os danados dos Três Jotas produzem até arco-íris?